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domingo, 25 de outubro de 2009

Horas, minutos, segundos passam, e encontro-me perdida em meus pensamentos, pensamentos que estão direcionados somente a você, pensamentos sem direção, pensamentos que criam feridas que não param de sangrar. O café amarga a garganta, a água não a molha, o coração não desaperta. O que você fez comigo? Ultrapassa a minha compreensão entender o real porque das coisas e perceber porque o caminho nunca se faz em linha reta. E do pouco que sei, vos direi que há curvas muito difíceis de ultrapassar. Há pedidos de desculpa, que nunca soam suficientemente verdadeiros. Há obrigados que ficam sempre aquém do que seria de esperar. Há missões condenadas ao infortúnio. No final dessas curvas, o caminho torna-se enganadoramente reto, como que, aliciando-nos a prosseguir… a avançar… a dando-nos esperanças que nos virá a roubar um dia mais tarde. Contudo cheguei aqui, escutei as indicações dadas com ouvido de velho e olho de moço. Porém, ontem julguei tê-lo deixado para trás, sem intenção. Estou sentada numa velha pedra há já umas horas, esperando ver-te surgir por entre a curva. Talvez tenhas caído, talvez estejas cansado, mas eu sentei-me, e aqui espero. Você riu dos meus medos e agora eu choro pelos teus. Apostei alto demais e te impus uma escolha cruel. Você não tem culpa de eu ter feito essa ecolha... você não é obrigado a aceitá-la... Mas eu confiei em você! confiei no seu sentimento! Seu medo foi mais forte, sua culpa mais fulgaz. Preciso te amenizar a dor, preciso te libertar! Mas como faço isso, se só o que consigo pensar é em te amar?! Meu desejo trancende minha vontade, dele não consigo escapar, Te quero pro resto da minha vida, mas sei que não te tenho por nem mais um minuto! Que essa mágoa me persiga pelo resto da minha vida, para que eu sempre me lembre do erro que cometi ao te amar! Sigo agora com a dor de pensar, pensar e não agir, mas sinto que preciso te deixar também seguir, e só desejo bem a ti . (Clara Vitória)

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