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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ela tinha medo. Não podia sentí-lo se aproximando que começava a tremer. Mesmo assim, ele se aproximava. Tentava com seu jeito doce se perder em seus braços. Ela cedia aos poucos, um tanto receosa e alerta. Mas foi inevitável; seus olhos brilhantes a conquistaram por completo. Desde o início ele se entregara. Mostrava-se solicito e carinhoso, ao mesmo passo que era também muito carente. Ela dava um passo de cada vez. Foi esquecendo o medo aos poucos e deixando que tomasse seu coração. Ela era calada. Ele nem ligava. Sempre sabia quando ela não estava em seus melhores dias e era quem enxugava-lhe as lágrimas. Ela nunca precisou dizer nada. Lia seu semblante com tal facilidade que até ela custava a acreditar. Muitos outros queriam um pouquinho de sua atenção. Ele dedicava todo o tempo que podia a ela. Havia ali uma ligação mais forte do que se supunha. Ele era dela. E ela sabia bem disso. Quando necessário, o repreendiam e ele não tomava jeito. Ela falava manso com ele; entre afagos. Sempre surtia resultado. Ele a escutava, obedecia. Chorava quando estavam separados. Ele tinha medo da chuva. Dos raios, trovões que o céu insiste em mandar vez ou outra. Ela o acolhia em seus braços e o mundo parecia parar. Só por um momento. Era sempre assim quando o abraçava. Seu pequeno coração se enchia de contentamento e tudo parecia perfeito. Era amor. Mas chegou o dia de sua despedida. Inesperada e dolorosa. Houve um último olhar. Ele olhou fundo em seus olhos, e ela também se afundou nos dele enquanto a água dos seus ainda não era suficiente para tapar-lhe a visão. Desejou que o tempo parasse. Mais que isso: Retrocedesse. Teve medo de piscar e vivenciar o próximo momento. Sabia que ele não estaria mais ali. E de fato, foi a última vez. E ela sabia. Durante os sete dias que se seguiram, acordava com o rosto já úmido e caía no sono com o travesseiro molhado. Reduziu suas palavras ao mínimo e não se via mais vitalidade alguma em seu rosto. Foi sua primeira grande perda. Após esse período, as lágrimas não secaram como o vazio não foi preenchido. Mas o tempo da dor foi se espaçando, como é de se esperar. Isso a abalara mais que qualquer outro e muito mais que um dia imaginara se abalar. Ele tirou-lhe o medo, rendeu-a sentimentos mais que agradáveis e ela não queria deixá-lo para trás. Apesar de toda a dificuldade de se desprender e entender realmente o que ele foi para ela, hoje ele se tornou uma maravilhosa lembrança. E ela sabe; ele não vai voltar. Créditos: thatianne s.

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